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Ceará registra aumento de 9,7% em casos de LGBTQIA+fobia em 2025; Cariri soma 44 ocorrências
No recorte regional, o Cariri somou 44 registros, concentrados principalmente em Juazeiro do Norte, Caririaçu e Crato.
Nathalie Fernandes
Ceará registra aumento de 9,7% em casos de LGBTQIA+fobia em 2025; Cariri soma 44 ocorrências
Bandeira LGBTQIAPN+ | Foto: Getty Images

Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), o Ceará registrou, em 2025, um total de 408 casos de violência motivada por LGBTQIA+fobia, um aumento de 9,7%, em comparação ao ano de 2024. Do total, 317 ocorrências foram classificadas como homofobia e 91 como transfobia.

Entre os municípios cearenses, Fortaleza lidera o número de registros, com 227 casos, seguida por Sobral e Juazeiro do Norte, ambas com 18 ocorrências. Caucaia aparece na sequência, com 13 casos. No recorte regional, o Cariri somou 44 registros, concentrados principalmente em Juazeiro do Norte, Caririaçu e Crato.

10 municípios do Ceará com maiores registros

  1. Fortaleza – 227
  2. Sobral – 18
  3. Juazeiro do Norte – 18
  4. Caucaia – 13
  5. Caririaçu – 7
  6. Crato – 7
  7. Eusébio – 6
  8. Maranguape – 6
  9. Aquiraz – 6
  10. Iguatu – 6

Cariri concentra 44 casos em 2025

O Cariri, interiro do Ceará, registrou 44 casos de LGBTQIA+fobia, em 2025

Juazeiro do Norte, Crato e Caririaçu lideram o ranking do Cariri | Foto: Getty Images

No Cariri, Juazeiro do Norte contabilizou 18 casos, sendo 14 de homofobia e quatro de transfobia, o que representa uma queda de 10% em relação ao período anterior. O município ocupa a terceira posição no ranking estadual.

A maioria das ocorrências foi registrada em vias públicas (5) e residências particulares (4), com maior incidência às segundas-feiras, com 7 casos. Os horários com mais registros foram 10h, 20h e meia-noite.

Os dados apontam que a maioria das vítimas em Juazeiro do Norte são homens gays, que representam 38,9% dos casos. Em relação ao gênero, homens cis correspondem a 44,4% das vítimas, enquanto mulheres cis somam 22,2%.

Em Caririaçu

Caririaçu apresentou um aumento de 600% nos registros, totalizando sete casos em 2025, o que coloca o município na quinta posição no estado. A maioria das ocorrências aconteceu em vias públicas, residências e no ambiente virtual. As vítimas são majoritariamente mulheres cis, e os registros se concentram principalmente às terças-feiras.

No Crato, foram contabilizados sete casos, representando um aumento de 75% em relação ao período anterior. Desses, seis foram classificados como homofobia e um como transfobia. As ocorrências se distribuíram entre residências, vias públicas, espaços religiosos, eventos e estabelecimentos comerciais. O município ocupa a sexta colocação no ranking estadual, com maior número de casos aos sábados.

Casos no Cariri

  • Juazeiro do Norte – 18
  • Caririaçu – 7
  • Crato – 7
  • Barbalha – 3
  • Missão Velha – 2
  • Jardim – 2
  • Altaneira – 1
  • Mauriti – 1
  • Assaré – 1
  • Aurora – 1
  • Nova Olinda – 1
  • Total: 44

Residências e vias públicas lideram ocorrências

Em todo o Ceará, os locais com maior número de registros foram residências particulares (91 casos) e vias públicas (74). O ambiente virtual, incluindo redes sociais e plataformas digitais, aparece em terceiro lugar, com 59 ocorrências, reforçando o papel da internet como espaço recorrente de violência simbólica e verbal.

Locais de Ocorrência no Ceará

  • Residência Particular –91
  • Via Pública –74
  • Ambiente Virtual (Internet) – 59
  • Casa Comercial –37
  • Não Informado- 26
  • Bar/Restaurante, etc – 18
  • Hospital, Clínica, etc –17
  • Campo de Futebol (Subúrbio) –2
  • Farmácia – 2
  • Estacionamento – 2
  • Favela-  2
  • Indústria – 2
  • Rodovia-  2
  • Estádios/Ginásios, etc – 1
  • Fortal – 1
  • Hotel, pensão, etc – 1
  • Aerorporto/Porto/Rodoviária –  1
  • Sindicato –1
  • Ônibus – 1
  • Creche – 1
  • Mercado Público, Feira – 1
  • Clube – 1
  • Aeroporto – 1
  • Propriedade Agrícola-  1

Os dados também indicam que os casos se concentram principalmente às sextas-feiras e sábados, e nos horários entre 10h e 15h, além do início da noite.

Dias da Semana 

  • Domingo – 54
  • Segunda – 64
  • Terça – 53
  • Quarta – 59
  • Quinta – 47
  • Sexta – 65
  • Sábado – 66

Horários com mais registros 

  • 15h – 35
  • 10h – 33
  • 14h – 27
  • 19h – 26
  • 11h – 25
  • 12h – 24

LGBTQIA+fobia e a Lei 7.716/1989

Para combater esse tipo de discriminação e preconceito, em 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) equiparou a homofobia e a transfobia ao crime de racismo.

Foto: Reprodução/JusBrasil

Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais ou Travestis, Queer, Intersexo, Assexuais. As violências motivadas pela orientação sexual ou identidade de gênero de uma pessoa LGBTQIA+ são o que definem a LGBTQIA+fobia.

Para combater esse tipo de discriminação e preconceito, em 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) equiparou a homofobia e a transfobia ao crime de racismo. A decisão tem validade até que o Congresso Nacional edite uma lei específica que regule esse tipo de crime. É que o Brasil não possui legislação específica para punir crimes associados à LGBTQIA+fobia. Em caso de homicídio doloso – em que ficar comprovado que o violador teve a intenção de matar – o crime passa a ser qualificado por configurar motivo torpe.

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