Juazeiro dobra óbitos em 7 dias e dá saltos de 100% em número de infectados a cada semana - Site Miséria 

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Juazeiro dobra óbitos em 7 dias e dá saltos de 100% em número de infectados a cada semana
O Hospital de Campanha e a Unidade de Suporte ao Covid-19, prometidos há mais de dois meses, não funcionam ainda.
Felipe Azevedo
Mulher carrega compras no Centro de Juazeiro do Norte nesta quinta, 4 (Foto: Guto Vital)

A escalada do coronavírus em Juazeiro do Norte é reflexo do que ocorre também nas grandes cidades e em diversas regiões do país: a incapacidade de estabelecer um isolamento social rígido, fiscalização inefetiva e reabertura gradual da economia. Um breve levantamento aponta que a cidade dobrou o número de mortos em uma semana. A prefeitura, desde a segunda-feira (1), reabre indústrias e planeja retomada do turismo.

Desde o início do que foi estabelecido como “quarentena”, ainda em março, especialistas ao redor do mundo informaram que, por não existir vacina e remédios capazes de curar a doença, o mais indicado seria o distanciamento social. Essa também foi uma norma da Organização Mundial da Saúde. No Ceará, o comércio fechou ainda no dia 19 de março, com o decreto estadual.

Juazeiro do Norte montou barreiras sanitárias rígidas via decreto em 14 de maio – Crato, por exemplo, fez isso ainda no dia 6, cerca de uma semana antes. Mesmo assim, elas foram ineficientes nas duas cidades. 

Nos primeiros dias em que o comércio juazeirense deveria permanecer fechado, comerciantes ainda trabalhavam com portões parcialmente abertos. A prática foi coibida pela prefeitura em fiscalizações posteriores, com multa.

Números

Um retrospecto das últimas quintas-feiras mostra como se deu a escalada da doença em Juazeiro. No dia 21 de maio, a Secretaria de Saúde informava 110 casos confirmados e 9 óbitos. Uma semana depois, na quinta (28), o número de casos era 121% maior: 244 confirmações, e 11 óbitos.

Após mais uma semana, outro aumento acima de 100%: até ontem (4), a prefeitura informava 524 casos e 22 óbitos. As mortes, nessa contagem, são o dobro da semana passada, um aumento inédito no intervalo de sete dias no município.

Arnon e Fernando Santana (Foto: Ascom)

O Hospital de Campanha e a Unidade de Suporte ao Covid-19, prometidos há mais de dois meses, não funcionam ainda em Juazeiro. Segundo a prefeitura, esses locais, juntos, teriam de 100 a 150 leitos exclusivos para tratar pacientes com suspeitos ou já com o coronavírus.

Unidade de apoio

No dia 2 de abril, a prefeitura divulgou fotos do prefeito Arnon Bezerra (PTB) e do deputado Fernando Santana (PT). Nas imagens, os dois visitavam a estrutura que seria a Unidade de Suporte – um prédio construído para instalação de uma UPA, no bairro Lagoa Seca. Na nota à época, a prefeitura estimava um prazo de 15 dias para término da obra. A assessoria que a estrutura será inaugurada amanhã, 6.

Hospital de Campanha

A primeira vez que a prefeitura falou sobre o Hospital de Campanha foi há 61 dias. De lá para cá, o local de montagem passou do Vapt-Vupt para o Ginásio Poliesportivo, mas não há ainda uma estrutura montada, nem previsão formal para que o hospital passe a funcionar.

A assessoria da prefeitura foi procurada para saber por que as estruturas não funcionam ainda, mas não enviou resposta até a publicação da matéria.

Centro de Juazeiro tem manhã movimentada nesta quinta, 4 (Foto: Guto Vital)

No 4º dia da retomada econômica via decreto em Juazeiro do Norte, a rua São Pedro, mesmo com o comércio fechado, registrou a maior movimentação na manhã desta quinta (4). Não há números oficiais para medir o trânsito de pedestre. Observando, porém, o fluxo de pessoas nas calçadas desde o início das medidas de isolamento, é possível perceber o aumento.

No comércio, apenas lojas de material hospitalar e óticas estão autorizadas a funcionar esta primeira semana de junho. A retomada econômica de Juazeiro segue um cronograma individual, que, apesar de se amparar na ação de reabertura do Governo de Estado, tem um calendário próprio.

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