Universidade Regional do Cariri (Urca) | Foto: Divulgação/ Urca
A vice-presidente do Sindicato dos Docentes da Universidade Regional do Cariri (Sindurca), Cícera Nunes, denunciou nesta quinta-feira (26) o que chamou de precarização do quadro de professores da universidade. Em entrevista ao portal M1/Miséria, ela disse que há departamentos em que mais de 50% do corpo docente é formado por temporários, mesmo com candidatos aprovados em cadastro de reserva.
O concurso público citado por ela foi publicado há quase quatro anos e ainda possui candidatos no cadastro de reserva aguardando convocação. O prazo de validade do certame se encerra em maio de 2026. A entidade defende a prorrogação do concurso e a convocação imediata dos aprovados.
“É a ampliação da precarização do quadro de professores da nossa universidade. Nós temos uma quantidade muito grande de professores contratados com vínculo profissional, como professores temporários, e temos um concurso que, desde a publicação do edital, já se arrasta quase quatro anos, e nós não temos uma resposta do governo do Estado e também da gestão da universidade”, afirmou.
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No ano passado, a 3ª Promotoria de Justiça do Crato instaurou inquérito civil para apurar a situação. Foi requerido à Reitoria da universidade a apresentação do quadro real de carência docente; a análise da possibilidade de remanejamento de vagas de setores sem aprovados para áreas com cadastro de reserva; a elaboração de um calendário de convocação; e a avaliação dos contratos temporários firmados onde existam candidatos aprovados.
A advogada Lívia Nascimento, assessoria jurídica do Sindurca, informou que a o sindicato também passou a ajuizar ações individuais de candidatos aprovados. Em alguns casos, segundo ela, decisões judiciais favoráveis teriam sido descumpridas, o que já resultou na aplicação de multa ao governo do Estado e à Reitoria da universidade.
“Não poderia existir essa contratação, mas a gente vê descumprimento do que foi requisitado pelo Ministério Público, e a partir do momento que a gente começou a ajuizar as ações individuais desses professores, a gente tem percebido também descumprimento dos comandos judiciais, o que é uma situação muito séria. Inclusive já há casos em que multa já foi aplicada”, afirmou.

Sindicato e aprovados no cadastro de reserva cobram novas convocações | Foto: Guto Vital/ M1/Miséria
Professora aguarda convocação
Entre os docentes que aguardam convocação está a professora Lindaiane Rodrigues, que atua como temporária nas áreas de anatomia e fisiologia e afirma ocupar vaga para a qual há cadastro de reserva vigente. Segundo ela, está em primeiro lugar na lista de aprovados no cadastro de reserva. A docente relata que, por não integrar o quadro efetivo, enfrenta restrições acadêmicas.
“Infelizmente, o governo não olha para a gente, não olha para o ensino superior, não olha o quanto a gente contribui com a comunidade, o quanto a gente devolve para a comunidade em saúde, o quanto a gente devolve para a comunidade em questão social, o quanto esses meninos que fazem aqui as licenciaturas, devolvem para a comunidade os professores que a gente tem no Cariri, e infelizmente a gente não é enxergado”, afirmou.
Outro lado
Em nota encaminhada ao M1, a Urca informou que vem mantendo negociação com o Estado para que mais docentes do cadastro de reserva sejam convocados. A instituição informou que nesta quinta-feira (26) o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) deliberou pela prorrogação do concurso até maio de 2028. A matéria segue para publicação no Diário Oficial do Estado (DOE).
“A medida possibilita a ampliação futura do quadro docente efetivo da instituição, por meio da convocação de candidatos aprovados no curso, seja em decorrência da criação de novas vagas, seja em razão de aposentadorias ou exonerações. […] O reitor, professor Carlos Kleber de Oliveira, desde as primeiras convocações havia assumido o compromisso de estender a validade do certame”, diz a nota.
Em relação aos temporários, a Urca informou que a negociação atual é que tenha a contração de mais docentes efetivos para a universidade. A nota destaca ainda que, nos últimos dois anos, foi realizado o maior concurso da história da universidade, com 184 vagas, o que corresponde a mais da metade do quadro atual, praticamente todos os docentes aptos assumiram suas respectivas funções.
“Os professores foram destinados aos novos cursos criados, como Medicina, Arquitetura, Turismo e agora Engenharia Agronômica e Engenharia Covil, além dos campi avançados de Missão Velha, Campos Sales e Iguatu, onde não havia docentes efetivos”, completa.
Confira a entrevista completa:
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