Os aglomerados, em geral, têm padrão urbanístico irregular e carência de serviços públicos (Camila Lima/Diário do Nordeste)
O Ceará tem 809 ocupações irregulares que servem como áreas de moradia em 40 dos 184 municípios do Estado. As habitações situadas nesses territórios, em geral, têm padrão urbanístico irregular e carência de serviços públicos, como o acesso à saúde. Um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado ontem, além da estimativa de domicílios ocupados nos chamados aglomerados subnormais, mensurou, também, em função da pandemia, as distâncias entre as comunidades e unidades de saúde.
No Ceará, as distâncias são razoáveis e 595 das 809 ocupações irregulares estão localizadas a menos de 2 km de equipamentos de saúde, como postos, UPAs e hospitais. O equivalente a 73,5% das ocupações irregulares no Estado. No Brasil, esse índice de proximidade (até 2km) entre as comunidades e os equipamentos é de 64,93% .
A divulgação dos dados, conforme o IBGE, busca mostrar qual é a situação dos aglomerados subnormais em municípios e estados, já que nessas localidades os moradores estão mais suscetíveis ao contágio pela doença provocada pelo novo coronavírus. Isto, explica o IBGE, devido à grande densidade habitacional.
No Ceará, se 595 ocupações estão localizadas em até 2 km das unidades de saúde, outras 169 estão situadas entre 2km e 5km. Outras 45 comunidades ficam a mais de 5 km de distância dos equipamentos.
Percursos
A maior distância entre uma ocupação irregular e um hospital no Ceará é na cidade de Granja. Segundo o IBGE, 28 km separam os moradores de áreas irregulares, no Distrito de Pessoa Anta, do Hospital Municipal de Viçosa do Ceará, localizado na cidade vizinha.
Na Região Metropolitana de Fortaleza, a maior distância entre uma unidade de saúde e uma ocupação irregular é em Caucaia. São 17km entre a comunidade da Primavera, no distrito de Guararu, e a UPA de São Gonçalo do Amarante. Em Fortaleza, o maior percurso é 4,5 km que separa moradores de um aglomerado no bairro Pedras do Hospital Municipal em Eusébio, município vizinho.
A Capital tem 553 ocupações irregulares das 809 do Estado. Dentre elas, estão o Buraco da Gia (Antônio Bezerra), a Comunidade Che Guevara (Cajazeiras), a Baixada do Dendê (Edson Queiroz), a Comunidade Lagoa do Urubu (Padre Andrade), o Titanzinho (Vicente Pinzon), a Favela dos Cocos (Praia do Futuro), o Lagamar (Aerolândia) e a Comunidade Marrocos (Bom Jardim).
Fortaleza tem 187.167 habitações irregulares do total de 794.584 domicílios ocupados na cidade inteira, conforme o IBGE. A estimativa do órgão é que as moradias nos aglomerados são 23,6% do total das habitações em Fortaleza.
Fonte: Diário do Nordeste
