Compartilhar
publicidade
Cearenses realizam pesquisa para tratamento de câncer de útero buscando reduzir efeitos colaterais
Cearenses realizam pesquisa para tratamento de câncer de útero buscando reduzir efeitos colaterais
O objetivo central da pesquisa é produzir uma nanopartícula revestida com um anticorpo capaz de reconhecer as células de câncer de colo de útero, preservando as células saudáveis (Arquivo pessoal)

Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), que desenvolvem novo tratamento para o câncer de colo de útero, realizaram parceria com a Universidad Autónoma de Guerrero (UAGRO), no México, para produzir um medicamento mais eficaz e seguro. O remédio busca aumentar a eficácia e reduzir os efeitos colaterais do tratamento, conforme um dos coordenadores da pesquisa, doutor em ciências farmacêuticas, Josimar Eloy.

A pesquisa está em fase desenvolvimento e teve início no começo do mês, após o projeto ser aprovado em 30º lugar em edital financiado pelo governo mexicano, ao fim de setembro. O estudo já integra seis pesquisadores, sendo quatro do México e dois do Ceará.

Além de Josimar, pesquisador da área de nanobiotecnologia, e coordenador do Centro de Desenvolvimento e Ensaios Farmacêuticos (CEDEFAR) da UFC, também participa a doutora em ciências e docente do Instituto de Ciências da Saúde (ICS) da Unilab-CE, Raquel Petrilli.

Conforme o pesquisador, a proposta de desenvolvimento do nanomedicamento, chamado imunolipossoma, combina três substâncias: cisplatina, oxima esteroidal e a siRNA . A última tem sido uma das opções mais modernas para o tratamento de câncer por “silenciar” as partes genéticas associadas à progressão da doença. A terapia mais específica busca reduzir ao máximo os efeitos colaterais do tratamento. Além disso, o medicamento também vai ser ligado a um anticorpo seletivo às células do câncer.

“Ou seja, essa formulação vai ter a capacidade potencial de reconhecer células doentes e poupar células saudáveis. É um direcionamento dos efeitos tóxicos deste medicamento somente para o alvo, câncer, somente no que é necessário”, explica.

Dessa forma, somente as células doentes são atacadas pelo medicamento, possibilitando um tratamento mais efetivo e seguro.

Pesquisa

Ainda em fase de definição de equipe, o projeto deve durar três anos. Caso os resultados sejam positivos após a pesquisa no laboratório, Josimar aponta que a pesquisa pode avançar para os estudos clínicos, realizando testes em pacientes. “Avaliando se há de fato o benefício clínico e, então, finalmente nós poderíamos ter o medicamento eficaz para beneficiar mulheres que lutam contra esse câncer”, declara.

Além de reduzir os efeitos colaterais, o medicamento pode contribuir para prolongar o tempo de vida e até combater a doença. “Quem sabe a gente poderia colaborar de alguma forma para salvar vidas ou melhorar a qualidade de vida dessas mulheres”, finaliza.

Laboratório

A pesquisa está sendo realizada no Centro de Desenvolvimento e Ensaios Farmacêuticos (CEDEFAR) do Departamento de Farmácia da UFC. O laboratório integra o Grupo de Pesquisa em Nanotecnologia (GPNANO), focado em nanomedicamentos. Além da participação da UFC, o estudo também será apoiado pelo Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia do México (CONACYT).

Contando com a parceria da Universidad Autónoma de Guerrero desde 2018, a nova pesquisa tem a participação dos professores mexicanos Jorge Nava, Yazmín Gomez e Berenice Illades. Ao longo do desenvolvimento da pesquisa, a UFC deverá receber uma doutoranda mexicana, responsável por desenvolver parte do estudo no Ceará.

Fonte: Diário do Nordeste

Comentar
+ Lidas