Compartilhar
publicidade
Número de gestantes com zika vírus tem redução média de 97% no Ceará
Gestantes não devem descuidar, mesmo diante da redução dos casos (Diário do Nordeste)

De acordo com o Ministério da Saúde, a infecção pelo zika vírus é uma doença moderada de cura espontânea após dez dias, contudo, há um alerta para complicações neurológicas. Em 2016, 101 bebês foram diagnosticados com microcefalia relacionada à zika congênita no Ceará, o número representa 91,8% das gestantes infectadas na época.

Nos últimos quatro anos, houve uma redução de 97% no número de grávidas com a arbovirose, conforme o boletim epidemiológico mais recente divulgado pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa). Desde 2018, o Estado não confirmou nenhum caso da má-formação.

Para o infectologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), Anastácio Queiroz, a diminuição nos casos confirmados de zika vírus se dá por conta da doença se manifestar apenas uma vez durante a vida.

“Não há uma segunda vez, então podemos ter, de certo modo, uma diminuição. Tivemos muitas pessoas que se infectaram em 2016, hoje, elas estão imunes. Além disso, o zika é uma infecção leve e, muitas vezes, as pessoas não sentem os sintomas e não procuram um profissional da saúde”, explica o infectologista Anastácio Queiroz.

Prevenção

O surto do zika vírus ocorreu durante 2015 e 2016, no primeiro ano, contudo, a doença não fazia parte da lista de notificações compulsória da Sesa. Já em 2016 e 2017, foram contabilizados, respectivamente, 110 e 94 casos confirmados em gestantes. Em 2018, houve uma redução significativa, com apenas cinco casos. Neste ano, até o dia 21 de dezembro, foram somente três.

Em 2019, 88 mulheres procuraram a rede pública de saúde apresentando os sintomas do zika vírus. Das notificações, apenas três foram confirmadas nos municípios de Fortaleza, Amontada e Salitre.

Conforme o professor Anastácio Queiroz, embora os sintomas da arbovirose sejam leves, muitas gestantes procuram o médico pelo receio de o bebê sofrer com a má-formação congênita. “De modo geral, a mulher não tem problemas. O fato agravante é a recordação (dos efeitos da doença). Quando a grávida tem qualquer sintoma, ela procura se diagnosticar, embora não seja tratável”, ressalta.

Sintomas

Das 587 notificações totais de suspeita de zika vírus, em 2019, as grávidas representam quase 15% do total. Anastácio Queiroz destaca que não há diferença entre gestantes e não-gestantes. “Os sintomas são muitos semelhantes, a grande questão é para o bebê”, afirma o especialista.

O médico também alerta para os cuidados e prevenções das arboviroses. “Essas doenças ainda não foram embora. É importante cuidar nos focos, pois eles permanecem os mesmos, precisamos combater os vetores”, ressalta.

Anastácio Queiroz explica ainda que, nem todas as gestantes, que têm o zika vírus, terão filhos com microcefalia. Contudo, alerta, principalmente, para a continuidade da luta pela prevenção da doença. “Não tem medicação para evitar as possíveis consequências. Não tem como controlar como as mulheres vão sentir a doença. Claro que, quanto mais no início a gestante apresentar o problema, mais chances de o bebê ter a síndrome da zika congênita”, pontua.

Fonte: Diário do Nordeste

Comentar
+ Lidas