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Serviços por aplicativos impulsionam setor de veículos no Ceará
Serviços por aplicativos impulsionam setor de veículos no Ceará (Reprodução)

Os aplicativos têm dominado o setor de serviços e agora as atividades exercidas através do meio digital têm gerado impactos também em outros setores, como o de veículos. No Brasil, um a cada quatro motoristas de aplicativo aluga veículo, totalizando cerca de 150 mil carros locados para a atividade. No Ceará, a tendência é seguida, principalmente, no mercado de locação.

A estimativa é da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla) com base em dados das próprias empresas de aplicativos, que contam com mais de 600 mil motoristas cadastrados em todo o País. O presidente do Conselho Nacional da Abla, Paulo Miguel Junior, ressalta que, uma das principais vantagens de alugar um veículo é não se preocupar com manutenção.

“Apesar de algumas facilidades de financiamento que a gente observa hoje, muitos motoristas ainda preferem alugar porque não têm esse custo da manutenção. Sem falar que o carro próprio demanda outros gastos, como emplacamento, licenciamento, IPVA, além da locadora sempre colocar à disposição um carro reserva em caso de acidente”.

Ele revela que muitas locadoras, hoje, já possuem departamentos próprios de locação para aplicativo. “Alguns aplicativos já fizeram convênio e parcerias para facilitar a locação. Já foi criado toda uma sistemática”, ressalta.

Seminovos

Apesar de reconhecer os benefícios do aluguel para aplicativo, o motorista Pedro Henrique Camelo Pereira (31) prefere usar o carro próprio. Trabalhando com aplicativo em tempo integral há oito meses, no ano passado, ele trocou o Voyage 2011 por um Onix 2016. “(O Voyage) É um carro bom, mas já estava mais ultrapassado. Com o tempo, ele começa a pedir muita manutenção, porque a gente roda bastante”, afirma o motorista, que chega a percorrer 300 quilômetros por dia.

Pereira é uma das 192 mil pessoas que adquiram automóveis semi-novos e usados no Ceará em 2019. O número é 4% maior que o registrado em 2018, de acordo com o Sindicato dos Revendedores de Veículos Automotores do Estado do Ceará (Sindivel).Segundo seu presidente, Everton Fernandes, muitos motoristas estão sim comprando carros e contribuem paras as vendas do segmento.

Por outro lado, ele ressalta que a atividade também reduz vendas. “As famílias que antes tinham dois carros em casa passam a ter só um. Aí fica um carro para o fim de semana, para sair com a família e um dos cônjuges vai trabalhar de carro enquanto o outro usa aplicativo. As pessoas acabam substituindo um carro por transporte por aplicativo”.

Fernandes estima que, a cada um carro vendido para motorista de aplicativo, outros três deixam de ser vendidos para uso pessoal. “Nossas vendas ainda cresceram 4% porque as famílias trocaram seus veículos por modelos mais novos. Pessoas que antes tinham só uma motocicleta migraram para o carro, e até mesmo jovens, que estão entrando no mercado de trabalho, compraram seus próprios carros”, argumenta Fernandes.

Balanço

Além dos 192 mil automóveis seminovos e usados vendidos no Estado, o levantamento do sindicato aponta a venda de 38,3 mil comerciais leves – picapes que podem ser utilizadas também para fins comerciais -, 9 mil comerciais pesados e 135 mil motos, totalizando 379 mil veículos do segmento, apenas no ano passado.

O Ceará apresentou o terceiro maior volume de vendas do Nordeste, atrás somente da Bahia (429 mil) e de Pernambuco (431 mil). Os cearenses têm preferido os chamados “usados jovens”, com quatro a oito anos de uso, responsáveis por 172 mil veículos do total de vendidos.

Também é preferência do consumidor local os usados maduros, que possuem de nove a 12 anos de uso, somando 76,7 mil vendidos.

Fonte: Diário do Nordeste

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