Luiz Altamir teve cronograma atrapalhado por coronavírus. - Foto: Pedro Ramos/ rededoesporte.gov.br
A projeção de casos do novo coronavírus (Covid-19) ainda é incerta, com mais de 110 mil casos confirmados e cerca de 3.800 óbitos em mais de 100 países, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, o número chegou a 34 casos. O cenário de apreensão atinge todas as esferas da sociedade em países mais afetados, como a Itália. Na segunda-feira (9), o governo italiano proibiu o deslocamento de pessoas em todo o território, onde há mais de nove mil casos de infecção.
O esporte também é afetado pelas medidas de prevenção ao vírus. O Derby d’Italia (Internazionale x Juventus), no último domingo, foi disputado sem torcida, assim como jogos da Liga dos Campeões, a exemplo de Valencia x Atalanta. Os atletas são proibidos de saudarem seus adversários com aperto de mão, somente o toque no antebraço é permitido.
Além disso, na própria Itália, os eventos esportivos foram suspensos até o dia 3 de abril, sob recomendação do Comitê Olímpico Italiano acatada pelo Governo da Itália. Com isso, o Campeonato Nacional fica sem jogos nas próximas semanas. Da mesma forma, eventos esportivos de outros esportes também estão suspensos até segunda ordem, parando as atividades em todos o país.
Atletas do Ceará afetados
O calendário esportivo de atletas cearenses foi prejudicado pela epidemia, como o caso do mesa-tenista Thiago Monteiro. O Aberto da Itália e o Mundial de Tênis de Mesa, que seria em Busan, na Coreia do Sul, foram adiados pela Federação Internacional da categoria.
Thiago mora em Sarceaux, distante 200km de Paris, na França, que teve mais de 1.100 casos confirmados. Em seu povoado de pouco mais de mil habitantes, ninguém foi contaminado. A tensão no cenário esportivo, porém, preocupa o atleta.
“Ainda não se tem notícias do Aberto da China e de Hong Kong, mas devem ser adiados. Por se tratar de ano olímpico e com alguns eventos adiados, o ranking pode ser afetado. Enfim, não é algo que dê pra controlar também”, disse Thiago, que segue com sua rotina de treinos inalterada, tomando mais cuidado durante suas frequentes viagens para competir.
Em seu último torneio, no Catar, o mesa-tenista revela que competidores cancelaram suas participações devido à epidemia, mas sem um ambiente alarmante. “Uns evitavam apertar as mãos antes e depois dos jogos. Mas não tive uma impressão de que as pessoas lá estivessem em pânico. Quarta-feira (hoje) viajo para Omã, onde muitos atletas cancelaram e ainda há receio que não nos deixem entrar no país. Sem contar que lá tiveram alguns casos”, contou Thiago, número 82º no ranking mundial de tênis de mesa.
Apesar da dúvida sobre o adiamento dos Jogos Olímpicos no Japão, o cearense deseja participar do evento caso a situação se normalize. “Se fala que podem ser adiadas (Olimpíadas), mas ainda é cedo. Estou pensando em jogar os torneios. Vamos ver o que acontece”, concluiu o cearense.
Outro focado na Olimpíada é o nadador Luiz Altamir, recordista mundial no revezamento 4×200 livre. Alertada por causa da epidemia, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) cancelou sua participação em uma competição na Europa.
“Em março, muitas eventos foram cancelados, como um em que eu ia participar. No caso, a Confederação não vai nos levar para evitar o contágio. Mas as rotinas de treino não foram afetadas”, explica Altamir, que treina no Rio de Janeiro.
Ao lado de outros 10 nadadores da seleção brasileira, ele não vai competir no Aberto do Mediterrâneo, com sede em Marselha, na França, entre os dias 20 e 22 deste mês.
Possibilidade real
No golfe, a situação é parecida com a de diversas outras modalidades, como a natação de Luiz Altamir e o tênis de mesa de Thiago Monteiro. No caso, o brasileiro Adilson da Silva pode não ter chance de índice olímpico devido ao surto de coronavírus. O atleta subiu 10 posições com o 16º lugar no Bandar Malaysia Open, a oitava etapa do Circuito Asiático, e chegou à 353ª posição. Mas, no momento, o último classificado para a Olimpíada aparece no 249º lugar.
“A situação não é fácil para ninguém. Competições estão sendo canceladas, mas vou ter de jogar bem nos próximos torneios programados. Acho que ainda tenho tempo de me classificar para os Jogos Olímpicos”, analisou o atleta, que não poderá competir na Tailândia, na próxima semana, porque o evento foi cancelado, assim como o Volvo China Open.
“Talvez se a situação piorar, com mais torneios a serem cancelados, a coisa toda talvez tenha de mudar em relação à classificação para a Olimpíada. No momento tem preocupação até de os Jogos Olímpicos serem adiados”.
CBF pede reunião
Com o cancelamento de amistosos na Arábia Saudita e de um torneio na França, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) se mobilizou e solicitou, através do secretário-geral da entidade Walter Feldman, reunião com o Ministério da Saúde para receber mais orientações a respeito do surto de coronavírus. A entidade tem demonstrado preocupação com as Eliminatórias, que iniciam neste mês de março.
A solicitação de encontro com representantes do Ministério da Saúde veio a pedido do presidente da Comissão de Médicos da CBF, Jorge Pagura. Um documento de 31 páginas chamado “Protocolo de tratamento do novo coronavírus (2019-nCoV)” foi enviado para grupos de clubes das Séries A, B e C, além de representantes da base.
Diário do Nordeste