Tradição à mesa cearense, o queijo coalho artesanal terá dia festivo no calendário estadual (Natinho Rodrigues/Diário do Nordeste)
Um dos petiscos mais pedidos em bares e restaurantes cearenses agora tem um dia dedicado a ele. O queijo coalho artesanal acaba de ganhar o 15 de julho como data comemorativa no Ceará. O trâmite para entrar no calendário do Estado partiu da Assembleia Legislativa. Em novembro deste ano, o Governo sancionou o projeto de lei. Em Fortaleza, nomes conhecidos e novos queijeiros esperam incentivos no comércio da iguaria.
Raimundo Oliveira Araújo, o “Raimundo do Queijo”, leva no apelido o derivado do leite. Aos 84 anos, ele abre o comércio às 6h da manhã e fecha às 5h da tarde, de segunda a domingo. Raimundo conta que, com a data em alusão ao queijo, espera incentivos nas vendas, em especial neste período de férias. Dos municípios de Iracema e Tauá, ele traz, há mais de 30 anos, o queijo coalho artesanal.
Especialista na iguaria, indica os consumidores a buscarem queijos em tons mais brancos e ensina como fazer boas combinações. “Vai bem acompanhado de uma cerveja ou mesmo dentro de uma boa paçoca. E essa história de queijo com furo ou sem não existe. É tudo a mesma coisa. A qualidade está no que a vaca come. O leite recebe tudo que ela come”, explica Raimundo do Queijo.
Memória
Laços criados a partir do paladar. Aroma e sabor tratados como sentimentos. Para o engenheiro de alimentos José Fernando Mourão Cavalcante, autor da publicação “Queijo Coalho Artesanal do Nordeste do Brasil”, o alimento nordestino está ligado diretamente à memória afetiva de turistas e cearenses. “Os turistas vêm ao Estado e provam esse queijo coalho em diversas ocasiões. Nos restaurantes, é ingrediente no baião de dois. Nas praias, está presente no comércio de ambulantes sendo vendido assado. Essa lembrança fica na memória afetiva gastronômica para sempre. Ele vai associar o Ceará àquele sabor que experimentou. Resumindo: o queijo coalho tem grande importância nesses segmentos e fortalece a cultura gastronômica cearense”, analisa Fernando Mourão.
Conforme o estudioso, o Ceará é um dos maiores produtores de queijo coalho da região Nordeste. Atualmente, disputa o comércio da iguaria com Pernambuco. Na sua avaliação, a data comemorativa em alusão ao alimento fortalece a cultura queijeira em regiões que vivem desta produção. “É o reconhecimento de um patrimônio imaterial do povo cearense. Representa a história da cultura gastronômica do nosso Estado. Nada melhor que um dia para resguardar essa cultura”, justifica.
Conforme o engenheiro de alimentos, mesmo com a data fixada no calendário estadual, ainda é preciso que haja o fortalecimento de políticas públicas fortalecidas sobre o lactinício. “Para reforçar a cultura queijeira cearense, os municípios precisam seguir três fatores importantes: divulgar junto à população o que são queijos artesanais e os benefícios do consumo – com dados das características de sabor, aroma e estrutura; tirar produtores do interior da informalidade. E, por fim, que sejam realizados mais eventos estaduais como feiras, festivais e concursos que englobem a parte gastronômica do queijo coalho”, diz Mourão.
Fonte: Diário do Nordeste
