Ex-dançarino do 'É o Tchan' relembrou, também, preconceito vivido na época do grupo (Reprodução)
Jacaré, ex-dançarino do grupo de axé É o Tchan, diz que costumava chorar de frustração no camarim do grupo durante as apresentações. Segundo ele, Carla Perez era a única a receber atenção da televisão, em um grupo com quatro pessoas negras.
“Teve muito essa coisa de achar que eu era gay pelo fato de estar rebolando e dançando”, desabafou ele, durante uma live no Instagram do Men do Not Dance.
O ex-dançarino também revelou uma mágoa da época ao relatar como era tratado nos programas de TV quando se apresentava com o grupo. “Dentro da TV, todo mundo ia só em cima da Carla Perez. Não aparecia a gente, pois só queriam mostrar a Carla”, acrescentou, reconhecendo que a colega “não tinha culpa por isso”.
“É culpa do sistema, da sociedade, que quer mostrar sempre a mulher. Eram quatro negros, eu, Beto, Compadre Washington e Débora [Brasil]. Chamavam sempre a loura, não a Débora. E todo o grupo ficava muito triste, não só eu. A gente batalhava tanto, ensaiava, criava, e os caras fazem isso, jogavam só para uma pessoa. Teve programas que não queria fazer. Chegava no camarim e chorava muito”, disse.
“E não foi só isso. Teve momento de ir para programa de televisão e eu não querer fazer aquilo. Chorava no camarim. Velho, só queria dançar. Não quero que as pessoas olhem para o meu órgão genital, para a minha bunda, minha barriga. Quero que vejam o movimento inteiro, a coreografia que eu passei horas tentando criar”, continuou.
Fonte: O Tempo
