Compartilhar
Servidores terão que devolver salários após reajuste ilegal aprovado pela Câmara de Juazeiro do Norte em 2023
Prefeito Glêdson Bezerra atribuiu a responsabilidade à legislatura anterior da Câmara e ao sindicato dos servidores, que teriam articulado um reajuste inconstitucional vetado por ele, mas mantido pelos vereadores.
Rogério Brito
Praça do Giradouro, Juazeiro do Norte
PIB de Juazeiro do Norte foi de R$ 6,45 bilhões em 2023 | Foto: Prefeitura de Juazeiro do Norte

O prefeito de Juazeiro do Norte, Glêdson Bezerra (Podemos), responsabilizou a legislatura anterior da Câmara Municipal e o sindicato dos servidores por um erro que pode levar funcionários públicos a devolverem valores já recebidos. “Estamos com um baita problema na mão”, disse durante uma transmissão ao vivo nesta terça (29), ao comentar a decisão do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) que considerou inconstitucional um reajuste concedido a servidores que recebem um salário mínimo.

Segundo Glêdson, a ação transitou em julgado e obriga o município a corrigir a situação na folha de pagamento. Já foram pagos, segundo ele, mais de R$ 1,5 milhão de forma indevida, sendo R$ 964 mil apenas em 2023.

“O que mais me entristece é saber que, naquela época, nosso procurador tentou mostrar o tamanho do problema que o sindicato, juntamente com a Câmara de Vereadores, estavam causando, porém, infelizmente, eles não demonstraram um pingo de preocupação com o que poderia acontecer. Pelo contrário, fomos vítimas de discursos demagógicos nos veículos de imprensa. Hoje, estou com mais esse problema pra resolver, que eles causaram”, disse Glêdson..

O caso começou em 2023, quando o prefeito enviou à Câmara um projeto de lei que previa reajuste de 5,79%, limitado à correção da inflação. Na época, o município já havia ultrapassado o teto de 54% de gastos com pessoal, o que impedia aumentos reais de salário. Mesmo assim, a Câmara aprovou uma emenda ao projeto, sugerida pelo sindicato, que aplicava o reajuste com base no salário mínimo de janeiro de 2023, em vez do valor de dezembro de 2022.

De acordo com o prefeito, a mudança resultou em um “reajuste duplo”, aumentando o salário além da inflação e, com isso, violando a Lei de Responsabilidade Fiscal. Além disso, a emenda foi considerada inconstitucional porque gerou despesa sem iniciativa do Executivo — o que a Câmara não tem competência para fazer. Glêdson chegou a vetar a emenda, mas o veto foi derrubado pelos vereadores da legislatura passada.

“O que me entristece é saber que boa parte dos servidores municipais, os que vão ser atingidos, são só aqueles de salário mínimo, ou seja, os que menos recebem, é quem está lá na base da pirâmide. Muitos desses não são nem sindicalizados, não tem nada a ver com a história”, completou o prefeito.

Compartilhar
Comentar
+ Lidas
TV Miséria