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Casa de vereadora ré por chacina no interior do Ceará é usada como acampamento para criminosos
Vereadora eleita e parentes são indiciados por chacina de Ibaretama
As vítimas foram mortas em uma casa no Distrito de Pedra e Cal, na zona rural do Município de Ibaretama (Leábem Monteiro/SVM)

A casa da vereadora de Ibaretama, Edivanda de Azevedo, foi utilizada por três suspeitos de tentativa de homicídio como acampamento. A parlamentar e seus dois filhos são réus por suspeita de dar apoio logístico à chacina que deixou sete pessoas mortas no município do Sertão Central do Ceará, em novembro do ano passado.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), em nota, a Polícia Militar prendeu um desses suspeitos de tentativa de homicídio na noite de quinta-feira (30), após uma equipe policial chegar nas proximidades da residência da vereadora e ser recebida a tiros. A polícia não informou se a vereadora está ligada aos homens procurados na residência.

Segundo a Secretaria, os policiais estavam trafegando pela região quando observaram rastros de motocicletas na zona da mata. Ao acharem a situação suspeita, eles seguiram os rastros e encontraram um acampamento com três homens, que atiraram contra a equipe. Houve troca de tiros, conforme a pasta.

Eles fugiram em direção à casa da parlamentar, mas não foram alcançados. “No local, foram encontradas duas motos com registro de roubo, quatro aparelhos celulares, 38 munições de arma de fogo, uma televisão e um micro-ondas”, informou, em nota. Na mata, foi localizado um revólver calibre 38.

Na noite, os policiais encontraram e prenderam Alexsandro Souza dos Santos (20), com antecedentes por tráfico de drogas. O homem confessou toda a participação nos crimes e que a arma de fogo encontrada era sua. Ele foi conduzido à Delegacia Regional de Quixadá e autuado em flagrante por tentativa de homicídio contra os PMs e porte ilegal de arma de fogo.

Vereadora e filhos réus

A Justiça estadual aceitou, em janeiro deste ano, denúncia apresentada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) e tornou ré a vereadora de Ibaretama Edivanda de Azevedo, além de membros de sua família e um outro acusado por envolvimento na chacina de Ibaretama.

A matança ocorreu no dia 26 de novembro de 2020 e deixou sete vítimas, das quais dois eram da mesma família; uma criança de seis anos também foi assassinada pelos criminosos.

Conforme a Polícia Civil, a chacina foi provocada por disputas de facções e pela intenção de reduzir os crimes no reduto eleitoral da vereadora.

Além da denúncia contra Edivanda, a Justiça também recebeu a peça criminal contra o irmão dela, Edvan Lopes dos Santos, e o afilhado, Josenias Paiva Lima de Andrade. Também tornou-se réu João Paulo de Oliveira Campelo, suspeito de executar as vítimas no local.

‘Indícios suficientes’

A denúncia foi aceita pela juíza Ana Celia Pinho Carneiro, que responde pela Vara Única Criminal de Quixadá.

“Pela análise dos autos, verifico indícios suficientes de autoria e de materialidade, configurando a justa causa penal necessária ao recebimento do presente aditamente exordial”, escreveu a magistrada.

Os quatro novos réus somam-se aos filhos da vereadora, Francisco Victor Azevedo Lima e Kelvin Azevedo Lima, que foram presos um dia após a chacina. Eles são suspeitos de ter dado apoio logístico a Wandeson Delfino de Queiroz, líder do grupo acusado de executar as sete pessoas na cidade.

Fonte: G1 CE

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