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Após pressão de ala ideológica, Renato Feder desiste de convite para ser ministro da Educação
Renato Feder desiste de convite para ser ministro da Educação
Renato Feder declinou do convite pelo presidente Jair Bolsonaro (Reprodução)

O secretário de educação do Paraná, Renato Feder, declinou do convite pelo presidente Jair Bolsonaro para assumir o Ministério da Educação (MEC). O anúncio foi feito neste domingo (5) em suas redes socias.

Feder se disse “muito honrado com o convite, que coroa o bom trabalho feito por 90 mil profissionais da Educação do Paraná”, mas contunuará à frente do trabalho na pasta estadual. Além de agradecer o convite, ele desejou “sorte ao presidente e uma boa gestão no Ministério da Educação”.

Mais cedo, Renato Feder já havia usado as redes sociais para reagir à pressão de alas ligadas ao escritor Olavo de Carvalho e aos militares no governo federal. Conforme o Estadão revelou, esses grupos pressionaram o presidente Jair Bolsonaro para reverter o convite feito a Feder para comandar o Ministério da Educação.

Pelo Twitter, o paranaense publicou uma série de mensagens com seu currículo e se defendeu de ataques que recebeu. Uma das respostas dadas por ele foi à suposta divulgação de livros com “ideologia de gênero” – um tema caro a bolsonaristas – no Paraná. “Não existe nenhum material com esse conteúdo aprovado ou distribuído pela Secretaria”, escreveu.

Na última sexta-feira, 3, o presidente Jair Bolsonaro indicou que escolheu Renato Feder para ser o novo ministro da Educação após a saída de Carlos Alberto Decotelli, fora do cargo antes mesmo de tomar posse por denúncias sobre incoerências em seu currículo. O secretário do Paraná, porém, virou alvo do grupo ideológicos e da base bolsonarista nas redes sociais.

Os militares também foram surpreendidos com o convite do presidente e querem um nome ligado a eles. Dessa forma, a nomeação de Renato Feder voltou a ser dúvida no Palácio do Planalto. Neste domingo, 5, ele escreveu no Twitter que gostaria de ser avaliado pelos índices da Educação no Paraná, e não por manifestações feitas no passado.

Em 2007, Feder escreveu um livro defendendo a extinção do MEC e a privatização da rede de ensino no Brasil. Ao Estadão, ele havia dito que não acredita mais nessa visão e, pelas redes sociais, reforçou o posicionamento mais uma vez. “Escrevi um livro quando tinha 26 anos de idade. Hoje, mais maduro e experiente, mudei de opinião sobre as ideias contidas nele.”

Na mesma sequência de mensagens, o secretário de Educação comemorou um dado incomum: a transferência de alunos de 10 mil famílias das escolas particulares para o ensino público no Paraná. A migração foi um efeito da pandemia de covid-19 e da crise econômica que se intensificou neste ano. Para o secretário porém, “não existe melhor prova do que isso de que estamos em um bom caminho.”

Em uma situação incerta sobre sua indicação para o MEC, o secretário escreveu que sua missão de vida é “ajudar na educação do nosso País”.

Fonte: Estadão

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