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Bolsonaro afirma que vetou perdão de dívidas às igrejas para evitar impeachment
Medida atende a pedido de Paulo Guedes, mas desagrada bancada evangélica, um de seus principais apoios.
Bolsonaro afirma que vetou perdão de dívidas às igrejas para evitar impeachment
Ao longo da última semana, deputados fizeram ameaças veladas ao presidente (Marcos Corrêa/PR)

O presidente da República, Jair Bolsonaro, se pronunciou na manhã desta segunda-feira (14) a respeito de sua decisão de vetar o perdão a dívidas de igrejas, que somam aproximadamente R$ 1 bilhão. Segundo ele, medida foi tomada por pressão econômica e evita um possível processo de impeachment aberto contra ele.

“Hoje, sancionei dispositivo que confirma a isenção da contribuição previdenciária dos pagamentos feitos para os religiosos das diversas religiões e autoriza a anulação de multas impostas. Contudo, por força do art. 113 do ADCT, do art. 116 da Lei de Diretrizes Orçamentárias e também da Responsabilidade Fiscal sou obrigado a vetar dispositivo que isentava as Igrejas da contribuição sobre o Lucro Líquido, tudo para que eu evite um quase certo processo de impeachment”, afirmou Bolsonaro.

O presidente também disse que, caso fosse deputado ou senador, votaria pela derrubada do veto. Com isso, ele contou que nesta semana enviará ao Congresso uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para tentar solucionar e estabelecer “o alcance adequado para a imunidade das igrejas nas questões tributárias.”

Entenda

As igrejas são alvos de autuações milionárias por driblarem a legislação e distribuírem lucros e outras remunerações a seus principais dirigentes e lideranças sem efetuar o devido recolhimento de tributos. Embora tenham imunidade no pagamento de impostos, o benefício não afasta a cobrança de contribuições (como a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a CSLL, ou a contribuição previdenciária).

Uma emenda de anistia foi apresentada pelo deputado federal David Soares (DEM-SP) e aprovada pela Câmara em julho e, depois, pelo Senado em agosto. Ele é filho de R. R. Soares, pastor fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus, uma das principais devedoras.

O texto altera a lei de 1988 que instituiu a CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido). O dispositivo vetado retirava templos da lista de pessoas jurídicas sobre as quais incidia a contribuição. Além disso, anulava as autuações que descumprissem a premissa.

A justificativa é que a Constituição dá proteção tributária às igrejas, mas o argumento é contestado. Na visão de membros do Fisco, as igrejas muitas vezes pagam salários a um grande número de pessoas, de empregados a pastores, e classificam os repasses com outros nomes.

Com a medida de vetar esse perdão, Bolsonaro atende ao ministro da Economia, Paulo Guedes, mas desagrada um dos setores que apoiam seu governo. Nos últimos dias, a bancada evangélica na Câmara vinha pressionando para evitar o veto.

Fonte: O Tempo

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