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Deputada cearense Gorete Pereira é alvo de operação que investiga esquema de fraude no INSS
A ação é um desdobramento da ‘Operação Sem Desconto’, que investiga um esquema nacional de desvios associativos não autorizados em aposentadorias e pensões de beneficiários do INSS.
Redação M1
GORETE PEREIRA
Gorete Pereira (MDB). | Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

A deputada federal cearense Gorete Pereira (MDB) foi um dos alvo da ‘Operação Indébito’, deflagrada na última terça-feira (17) pela Polícia Federal (PF) e a Controladoria Geral da União. A ação é um desdobramento da ‘Operação Sem Desconto’, que investiga um esquema nacional de desvios associativos não autorizados em aposentadorias e pensões de beneficiários do INSS.

Ao todo, foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) 19 mandados de busca e apreensão, dois de prisão e outras medidas cautelares, no estado do Ceará e no Distrito Federal. Os procedimentos, assinados pelo Ministro André Mendonça — relator do caso —, tem o objetivo de elucidar a prática de crimes de inserção de dados falsos em sistemas oficiais, de constituição de organização criminosa, de estelionato previdenciário e de atos de ocultação e de dilapidação patrimonial.

Além de Gorete Pereira, que está sendo monitorada por tornozeleira eletrônica, a PF também teve como alvos outros dois suspeitos, o empresário Natjo de Lima Pinheiro e a advogada Cecília Rodrigues Mota, ambos com prisão preventiva decretada.

Desde 2025, os órgãos apuram o caso, que envolve um impacto financeiro com descontos associativos da ordem de R$ 6,3 bilhões, entre os anos de 2019 e 2024.


Condutas

Segundo as investigações, há indícios que a parlamentar seria responsável pela articulação política do esquema junto aos órgãos públicos, como o INSS, e teria recebido altos valores por meio de empresas de fachada. 

“Como também articulava diretamente com o investigado ALESSANDRO STEFANUTTO e com ALAN, Diretor da DATAPREV, com o propósito de agilizar a ativação das entidades que representava para viabilizar a operacionalização do esquema criminoso de descontos ilícitos de benefícios previdenciários”, diz trecho do documento sobre a conduta de Gorete.

Ainda, há suspeita de que Cecília Mota controlava associações formalmente dirigidas por terceiros, conhecidas como “laranjas”, para dar aparência de legalidade ao esquema. Já Natjo Pinheiro é apontado como líder e responsável pela gestão financeira da organização, incluindo a inserção de beneficiários indevidos e a arrecadação de valores. 

 

Posicionamento das defesas

Em nota encaminhada ao G1, a defesa de Gorete afirmou que a deputada não praticou nenhum ato ilícito e que o jurídico se manifestará após análise detalhada do caso. 

O jurídico de Natjo Pinheiro, também em comunicado, considerou a prisão preventiva uma medida desnecessária e desproporcional. “Desde abril de 2025, o investigado já havia sido alvo de busca e apreensão e bloqueio judicial de bens, medidas que se mostraram plenamente satisfatórias. Os descontos investigados encontram-se paralisados, inexistindo risco de continuidade, e o próprio cumprimento do mandado em sua residência afasta qualquer alegação de risco de fuga”, diz.

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