General Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo da Presidência (Marcello Casal JrAgência Brasil )
Ex-ministro da Secretaria de Governo de Jair Bolsonaro, o general da reserva Carlos Alberto Santos Cruz considera que a gestão da qual participou praticou atos que configuraram um estelionato eleitoral. Segundo ele, ao chegar ao poder, o presidente da República não cumpriu a agenda proposta na campanha, que enfatizava sobretudo o combate à corrupção.
Para Santos Cruz, a chegada de Bolsonaro ao poder tem bastante a ver com o cenário registrado nos governos anteriores, nos quais os escândalos de corrupção se tornaram frequentes. Por isso, na ocasião, Bolsonaro se agarrou à operação Lava Jato para conseguir chegar ao Palácio do planalto.
“Naquele momento era a opção. E pela proposta (de combate à corrupção). Só que infelizmente a proposta não foi cumprida. É o típico caso de estelionato eleitoral, onde você fala uma coisa e não faz”, disse, enumerando algumas promessas abandonadas.
“Primeiro lugar, o combate à corrupção. O Coaf nao ia ficar com Sergio Moro? E a prisão em segunda instancia onde está? Então (havia essa proposta), só que quando assumiu um pequeno grupo de fanáticos tomou conta. Tomou conta, ganhou a influência e vem intoxicando o país, apostando no fanatismo. No fanatismo que vai levar, como eu falei, que pode levar à violência”, explicou.
O general da reserva disse que, enquanto esteve no governo, tentou sempre alertar Bolsonaro sobre isso. “Eu sempre fui honesto. Sempre disse aquilo que achava que devia dizer”, afirmou.
Para Santos Cruz, não há apenas o que chamou de “bobagens” sendo feitas no atual governo. Mas, segundo ele, esse “show” de “fanatismo” acaba tirando o foco e atrapalhando as coisas boas realizadas pela gestão, como a organização orçamentária e a conclusão de obras de governos anteriores, por exemplo.
Fonte: O Tempo
