Ernesto Araújo, que integrava a ala olavista, deixou o governo Bolsonaro em março, após protagonizar uma série de polêmicas em sua política contra o que chama de “globalismo” (Foto: Sérgio Lima/AFP)
O ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo não poupou o seu ex-chefe, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), por causa da relação com o Centrão. Para o ex-chanceler, o chefe do Executivo se rendeu ao establishment, que tanto prometia combater.
“O governo, em algum momento, decidiu tomar a pílula azul. Um governo que foi eleito por uma grande tomada de pílula vermelha, resolveu tomar a pílula azul. Às vezes eu acho que em alguma reunião ministerial que eu não estava distribuíram a pílula azul e todo mundo tomou. Por sorte, eu não estava e não tomei… Nem teria tomado, eu acho”, afirmou o ex-chanceler em vídeo exibido durante um congresso conservador realizado em Santa Catarina, segunda-feira (15).
A “pílula azul” que ele citou é a droga do filme Matrix que faz com que os personagens não enxerguem a realidade e permaneçam em um mundo de ilusões.
Araújo disse ainda que Bolsonaro “virou a base do Centrão”.
“O pior é que colocaram uma pílula azul no café do presidente da República. Azularam completamente o governo e a atuação do presidente. Então surgiu aquela coisa: ‘Precisamos fazer do Centrão a base do governo’. O que a gente viu é que o governo virou a base do Centrão.”
Ernesto Araújo disse também que, no começo do governo de Jair Bolsonaro “eram poucos os que estavam dentro desse projeto de transformação do sistema, muitos estavam ali fingindo, estão até hoje”. Ele não diz quem são essas pessoas.
Para Araújo, “a maioria do governo nunca quis enfrentar o sistema, seja por falta de coragem, de convicção ou por interesse pessoal de manter o sistema”. Segundo o ex-chanceler, essas pessoas contaminaram o governo e o fizeram se unir ao Centrão.
Araújo, que integrava a ala olavista, deixou o governo Bolsonaro em março, após protagonizar uma série de polêmicas em sua política contra o que chama de “globalismo”.
O estopim para a sua saída foi a briga desencadeada com o Senado após ele atacar a senadora Katia Abreu (PP-TO), presidente da Comissão de Relações Exteriores da Casa. Na época, a avaliação foi de que, diante da sua saída iminente, Araújo buscou um conflito para encontrar uma saída honrosa e se dizer vítima do sistema político.
Fonte: O Tempo
