Luciano Hang, dono da Havan (Foto: Reprodução)
O Ministério Público Federal (MPF) pediu ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS) que suspenda por oito anos os direitos políticos do empresário bolsonarista Luciano Hang, dono da rede de lojas de departamentos Havan. Conhecido como Véio da Havan, é cotado como candidato ao Senado por Santa Catarina.
Hang é acusado de abuso de poder econômico nas eleições para prefeito da cidade de Santa Rosa, um dos polos de produção de soja no Rio Grande do Sul. Procuradores lembram que, durante um evento eleitoral em 11 de dezembro de 2020, o empresário disse aos eleitores do município que só garantiria a continuidade da construção de uma loja na cidade se o vencedor fosse o candidato a prefeito Anderson Mantei (PP).
“E aí, a Havan tá aqui nos próximos meses, tenho certeza disso”, prometeu Hang. Mantei foi eleito e o empresário cumpriu a promessa.
O MPF transcreveu falas de Luciano Hang no evento, em que afirma que a eleição de Mantei garantiria “menos burocracia” para a cidade. “Aliás, o PT e a esquerda são campeões de burocracia”, diz o empresário em trecho destacado pelo órgão. “A cueca deles é vermelha. Pode puxar, são vagabundos. Aliás, destruíram o nosso país, (…) maior crise financeira que o Brasil já viu, a crise econômica de 2015. Povo de Santa Rosa, não tenha memória curta”, completou o empresário.]
Procuradores do caso, José Osmar Pumes e Fábio Nesi Venzon afirmam que “se encontra bem demonstrada a ocorrência de abuso de poder econômico nas Eleições de 2020, no município de Santa Rosa-RS, praticado pelo investigado Luciano Hang (…) em benefício da chapa à eleição majoritária”. Eles também pedem que sejam suspensos os diplomas do prefeito eleito e do vice, Aldemir Eduardo Ulrich, por terem sido “beneficiados pelo abuso de poder econômico”.
Em nota, Hang afirmou que a situação mostra “a estrutura pública, que é paga com os recursos dos brasileiros, sendo usada em favor de partidos políticos. Neste caso, usada pela a esquerda”. De acordo com ele, a decisão seria para tê-lo “longe da disputa eleitoral de 2022”. “Não tenho nada a temer. Eu sou brasileiro e tenho todo o direito de me manifestar e fazer uso da liberdade de pensamento e expressão”, finaliza.
Fonte: O Tempo
