Foto: Valter Campanato/Arquivo/Agência Brasil
O Ministério Público Federal pediu nesta quarta-feira (7) uma reparação financeira aos militares atacados a tiros e granadas , em 23 de outubro, pelo ex-deputado Roberto Jefferson , após uma ordem de prisão do ministro do Supremo Tribunal Federal ( STF ) Alexandre de Moraes .
Na ocasião, Jefferson recebeu os agentes com mais de 50 tiros de fuzil e granadas, na residência dele, que fica no município de Levy Gasparian, na Região Serrana do Rio de Janeiro. Dois policiais ficaram feridos com estilhaços durante cumprimento de mandado de prisão.
A denúncia do MPF estabelece que o ex-deputado pague R$ 50 mil para cada Policial Federal ferido, pelos danos materiais e imateriais sofridos; R$ 30 mil para os outros 2 policiais federais que participaram da operação, pelos danos imateriais sofridos e R$ 26.780 pelos reparos feitos na viatura.
Se a denúncia for aceita, o ex-deputado vai responder por:
4 tentativas de homicídio;
crime de resistência qualificada;
crime de posse ilegal de arma de fogo de uso restrito e munição de uso permitido e restrito (dois crimes condensados em um só);
posse de três granadas adulteradas.
Após o corrido, em 24 de outubro, o ex-deputado foi indiciado pela Polícia Federal por quatro tentativas de homicídio devido aos dois agentes que ficaram feridos com estilhaços durante o cumprimento de mandado de prisão e outros dois, que estavam em uma viatura, mas não foram atingidos.
Depois, no dia 27, Moraes converteu a prisão de Jefferson em flagrante para prisão preventiva . A medida fez com que a detenção não tenha um prazo específico para acabar.
Relembre o caso
Jefferson foi preso no dia 23 de outubro após trocar tiros com policiais federais que foram até sua casa, no interior do Rio de Janeiro, para prendê-lo. Na ocasião, ele disparou tiros de fuzil e atirou granadas na direção dos agentes.
A Polícia Federal informou que dois agentes ficaram feridos na operação “por estilhaços de granada arremessados pelo alvo”. Segundo a corporação, eles foram imediatamente levados ao pronto-socorro e passam bem.
Antes, o ex-parlamentar estava em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, mas precisou voltar ao sistema penitenciário após decisão do ministro do Alexandre de Moraes, por descumprimento de medidas cautelares impostas, como não postar nas redes sociais.
Na sexta-feira, 21 de outubro, Roberto Jefferson xingou a ministra Carmen Lúcia, do STF, de “bruxa” e compará-la a uma “prostituta” após o voto favorável da magistrada em conceder 116 direitos de resposta ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Jovem Pan, depois que o canal divulgou informações falsas sobre o petista. O vídeo foi publicado nas redes sociais de Cristiane Brasil (PTB), filha dele.
Após o episódio na casa de Jefferson, Moraes determinou uma nova ordem de prisão contra o ex-parlamentar , desta vez em flagrante, por suspeita de tentativa de homicídio dos dois policiais que ficaram feridos durante ação.
No texto, Moraes citou relatório da PF e o próprio vídeo de Jefferson, em que ele admite ter atirado contra os agentes. O ministro também afirmou que “qualquer autoridade” que tentasse retardar a prisão pela PF estaria sujeita a enquadramento por crime de prevaricação. O ministro ainda ressaltou que a corporação podia cumprir a ordem de prisão “a qualquer horário”.
O ex-parlamentar se entregou à PF às 19h de domingo , após oito horas de resistência, e foi levado para a superintendência da corporação no Rio de Janeiro, onde chegou por volta das 21h. Na noite de segunda, 24 de outubro, Jefferson foi transferido do presídio de Benfica para a penitenciária Pedrolino Werling de Oliveira (Bangu 8).
IG
