Olavo de Carvalho (Foto: Reprodução/YouTube)
Com quase todos os seus pupilos fora do governo de Jair Bolsonaro, que decidiu enfraquecer a chamada ideológica para dar mais espaço ao Centrão, o escritor e filósofo Olavo de Carvalho, considerado um “guru” do bolsonarismo, disse nesta segunda-feira (20) que se sentiu usado pelo presidente e que ele o fez de “poster boy” para se eleger – termo em inglês que remete a “garoto propaganda”.
“Depois disso, até meus amigos que estavam no governo ele tirou”, disse Olavo durante transmissão online do canal Conserva Talk. Também estavam presentes os ex-ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente), Abraham Weintraub (Educação) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores), todos discípulos de Olavo de Carvalho, que deixaram o governo em meio a polêmicas e até investigações.
A informação é do Estadão Conteúdo, que relatou que, na ocasião, Olavo defendeu que a “briga já está perdida”. “O Brasil vai se dar muito mal, não venham com esperanças tolas”, afirmou. “Existe uma chance (de voltar), mas muito remota. Se Bolsonaro acordar, e eu não sei como fazê-lo acordar.”
Olavo de Carvalho também rechaçou o termo “guru de Bolsonaro”, usado muitas vezes para identificá-lo. “Isso é absolutamente falso, conversei com ele quatro vezes na minha vida, eu duvido que ele tenha lido meu livro inteiro”. Também disse que tem zero influência sobre o presidente.
Na live, o escritor chegou a dizer que o presidente é um “excelente administrador”, mas o comparou a um prefeito de “cidade do interior”: “É o Paulo Maluf sem a roubalheira”, afirmou. Ele afastou, ainda, a ideia de que o presidente representaria a direita brasileira. “No Brasil só tem duas possibilidades: ou você é comunista ou você é neutro. Não existe direita. Existe bolsonarismo”, concluiu.
Esta não é a primeira vez que Olavo tenta se afastar do presidente apesar de retomar elogios à gestão em algumas ocasiões. Em novembro do ano passado, o escritor disse que Bolsonaro deveria renunciar se não defendesse “os mais fiéis amigos”. Também em 2020, chegou a falar que poderia “derrubar o governo”.
A fala do ideólogo corrobora depoimento que prestou à Polícia Federal em dezembro deste ano, no âmbito do inquérito das milícias digitais. Às autoridades, ele também reforçou que teve pouco contato com o chefe do Executivo.
Fonte: O Tempo
