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PF quer ajuda de EUA e Reino Unido em inquérito sobre mentira de Bolsonaro
Em uma transmissão, presidente associou vacinação contra a covid-19 com propagação da Aids; investigação é ordem de Alexandre de Moraes.
PF quer ajuda de EUA e Reino Unido em inquérito sobre mentira de Bolsonaro
Bolsonaro em live semanal (Foto: Facebook/Reprodução)

A Polícia Federal pretende promover uma cooperação internacional com órgãos dos Estados Unidos e do Reino Unido no inquérito que apura uma fala do presidente Jair Bolsonaro em que ele relaciona a vacinação contra a covid-19 ao risco de se contrair Aids.

A informação é falsa. Não há nenhum estudo científico que mostre qualquer tipo de relação entre os imunizantes e a doença.

A declaração de Bolsonaro se deu em uma live, no dia 22 de outubro. Segundo o presidente, relatórios oficiais do Reino Unido indicariam que pessoas com vacinação completa contra a covid-19 estariam desenvolvendo Aids “muito mais rápido que o previsto”.

Devido à desinformação espalhada pelo presidente, a transmissão foi retirada do ar pelo Facebook, YouTube e Instagram.

No inquérito, Bolsonaro é suspeito de ter cometido três delitos: epidemia, infração de medida sanitária preventiva e incitação ao crime.

Responsável pelo caso, a delegada Lorena Nascimento pediu que a Coordenação Internacional responda se há, em relatórios do Departamento de Saúde e Assistência Social do Reino Unido, algo que confirme a fala de Bolsonaro.

Já ao Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, a PF questiona se há alguma publicação apontando uma relação entre as mortes por gripe espanhola e a proliferação da doença associada ao uso de máscaras.

A Polícia Federal também vai analisar se os sites utilizados por Bolsonaro para fazer a declaração são confiáveis e se existem relatos sobre eles transmitirem informações verdadeiras ou falsas.

O pedido de investigação foi feito pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, em 3 de dezembro de 2021. Mas apenas no dia 23 de fevereiro a Polícia Federal iniciou as apurações.

Moraes disse não ter dúvidas de que a conduta do presidente na propagação de notícias fraudulentas sobre a vacinação usa “do modus operandi de esquemas de divulgação em massa nas redes sociais”. Por isso, defendeu que a investigação é imprescindível “especialmente diante da existência de uma organização criminosa” que já foi identificada em outros dois inquéritos que tramitam na Corte.

Fonte: O Tempo

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