Na publicação, aparece um mico-leão-dourado, presente exclusivamente no Rio de Janeiro (Reprodução/Twitter)
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, compartilhou um vídeo nas redes sociais com o intuito de negar as queimadas que devastam a Floresta Amazônica há meses. No entanto, parte das imagens tratam-se, na verdade, da Mata Atlântica, presente principalmente no Sudeste brasileiro.
“Você está sentindo o cheiro de fumaça? Claro que não! Pois a Amazônia não está queimando novamente. Segundo Satélites da Nasa e da Embrapa Territorial, existem aproximadamente 1 milhão de agricultores no bioma amazônico, e apenas 5% deles utilizam queimadas como forma de limpeza para produzir seus alimentos”, diz a legenda e a narração da publicação.
“Portanto, essas queimadas são culturais e de pequena proporção (…) De qual lado você está? De quem preserva de verdade ou de quem manipula seus sentimentos?”, conclui. No final, o vídeo é assinado pela Associação de Criadores do Pará (Acripará).
Uma outra parte que chama atenção é a presença do mico-leão-dourado. Conforme a Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD), a espécie vive exclusivamente no Rio de Janeiro; outras espécies de mico-leão só são vistas na Bahia, em São Paulo e no Paraná, ou seja, a milhares de quilômetros da Floresta Amazônica.
Veja o vídeo falso, que também foi compartilhado pelo vice-presidente da República, Hamilton Mourão:
Recebi este vídeo, “Amazônia não está queimando” … pic.twitter.com/l6iG0uGhhU
— Ricardo Salles MMA (@rsallesmma) September 9, 2020
Queimadas
Dados do próprio governo contradizem Salles e Mourão. Segundo o Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em agosto, a Amazônia teve 20.670 km² de mata queimada, sendo que nos mês anterior foram 3.515 km², um aumento de aproximadamente 488% no período. Somente neste ano, 20.670 km² da maior floresta do mundo foram devastados pelo fogo, muitas vezes criminoso.
Em julho deste ano, as queimadas foram proibidas por 120 dias pelo governo de Jair Bolsonaro, após a crise internacional ocorrida no ano passado devido ao seu aumento nessa floresta essencial para o equilíbrio do clima no planeta.
Outro lado
A reportagem solicitou posicionamento sobre o vídeo ao Ministério do Meio Ambiente e à Vice-Presidência da República, mas ainda não obteve retorno. Não conseguimos contato com a Acripará.
Fonte: O Tempo
