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Projeto vai monitorar origem e idade dos aquíferos do Cariri e Apodi
O estudo deve seguir por 3 anos e tem como objetivo melhorar o abastecimento hídrico da região
Yanne Vieira
Foto: SRH

Na última sexta-feira (4), a gerência de Estudos e Projetos da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh) apresentou um projeto de monitoramento dos aquíferos da região do Cariri e do Apodi para entender com mais detalhes o comportamento e o tempo de residência da água nesses locais.

O projeto será realizado em parceria com a Universidade Estadual Paulista (UNESP), por meio de convênio, e deve identificar, por meio da utilização de isótopos ambientais [hidrogênio, oxigênio e carbono], a recarga e a idade de aquíferos estratégicos na porção sul do Ceará.

De acordo com a Cogerh, serão três anos de estudos e monitoramento desses pontos, em um trabalho que será coordenado pela Doutora em Hidrogeologia e Gerente de Estudos e Projetos da Cogerh, Zulene Almada e pelo Professor da Unesp, Didier Gastmans.

Zulene destacou o avanço da Cogerh na gestão de águas subterrâneas como estratégia de segurança hídrica. “A demanda de água subterrânea na região do Cariri é alta, considerando que a população é de aproximadamente 800 mil habitantes. Portanto, nossa postura de investir em técnicas modernas de monitoramento de aquíferos é estratégica. Com a técnica de isótopos ambientais vamos descobrir o comportamento dos aquíferos e projetar políticas públicas de gestão das águas”, ressaltou.

O monitoramento com isótopos já teve início com uma primeira campanha para reconhecimento dos primeiros poços, conforme relatou o Didier. “Todos os meses serão coletadas 40 amostras, que serão enviadas para o laboratório em São Paulo e partir daí serão feitas as análises para qualificar a recarga e traçar a idade do aquífero”, explicou o professor.

Hoje, 13 municípios no Cariri são abastecidos exclusivamente por água subterrânea. Entre 2015 e 2019, o Ceará executou o maior programa de construção de poços do Estado, totalizando 13.629 poços, que ajudaram a complementar o abastecimento de várias cidades em tempos de maior estiagem.

Didier frisou também a necessidade de conectar a gestão da água subterrânea com o clima do Ceará. “Existe, sem dúvidas, um clima muito agressivo aqui, com muitos episódios de seca. Então, entender as condições climáticas em que as recargas nos poços aconteceram ou estão acontecendo é bastante importante”.

Também vamos atentar para uma questão bem importante, que são as fugas de água. Eventualmente, pode haver fugas de água na rede da Cogerh que pode servir para alimentar os aquíferos, recarregando-os. Ou seja, você perde água por um lado, mas você está armazenando nos aquiferos”, ressaltou o professor sobre as possibilidades do estudo.

Além de gestores e técnicos da Cogerh, participaram do lançamento do projeto pesquisadores da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) e da Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra).

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