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Banco Central decreta liquidação extrajudicial da Will Financeira, controlada pelo Banco Master
Segundo o BC, a medida prevê a indisponibilidade dos bens dos controladores e dos ex-administradores da Will Financeira, que integrava o conglomerado liderado pelo Banco Master.
Nathalie Fernandes
Banco Central decreta liquidação da Will Financeira, controlada pelo Banco Master
Foto: Reprodução

O Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, instituição controlada pelo Banco Master. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (21).

Segundo o BC, a medida prevê a indisponibilidade dos bens dos controladores e dos ex-administradores da Will Financeira, que integrava o conglomerado liderado pelo Banco Master. O próprio Master já havia sido liquidado em novembro de 2025 e, desde então, operava sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET).

De acordo com a autoridade monetária, o conglomerado Master representava 0,57% do ativo total e 0,55% das captações do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Na ocasião da liquidação do Banco Master, o BC optou por impor o RAET ao Master Múltiplo S/A com o objetivo de preservar o funcionamento da Will Financeira, o que, posteriormente, não se confirmou como viável.

Liquidação da Will Financeira

O Banco Central informou que, em 19 de janeiro, foi constatado o descumprimento da grade de pagamentos da Will Financeira junto ao arranjo de pagamentos da Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos, o que resultou no bloqueio da participação da instituição nesse sistema.

Diante do quadro, o BC avaliou como inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, em razão do comprometimento da situação econômico-financeira, da insolvência e do vínculo de interesse decorrente do controle exercido pelo Banco Master.

Contexto e investigações

Controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, o Banco Master expandiu suas operações nos últimos anos com a oferta de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rentabilidade acima da média do mercado. Para sustentar esse modelo, a instituição passou a assumir riscos elevados e a estruturar operações que ampliavam seu balanço, enquanto a liquidez disponível se reduzia.

Relatórios do Banco Central e investigações da Polícia Federal apontam que os problemas do banco ultrapassaram a esfera financeira. O caso envolve ainda a relação com a gestora Reag Investimentos, tentativas de venda ao Banco de Brasília (BRB) e disputas institucionais que afetaram investidores e o sistema financeiro.

Entre 2023 e 2024, o Banco Central identificou indícios de que cerca de R$ 11,5 bilhões teriam sido movimentados por meio de operações de triangulação. Nesse modelo, recursos eram emprestados a empresas consideradas de fachada, que aplicavam os valores em fundos ligados à Reag Investimentos. Esses fundos, por sua vez, adquiriam ativos de baixo valor por preços elevados.

A autoridade monetária identificou seis fundos suspeitos, com patrimônio conjunto de R$ 102,4 bilhões, nos quais os recursos circulavam entre estruturas ligadas aos mesmos intermediários até alcançar os beneficiários finais.

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