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Sonho adiado

Há oito anos no Cariri, mais um triste capítulo para Ferrovia Transnordestina

Por Felipe Azevedo/Agência Miséria
Em 08/11/2018 às 01:25
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Novo estudo indica fim da obra em 2027 (Foto: Divulgação Valec)

O sonho da conclusão da Ferrovia Transnordestina foi adiado mais uma vez e só deverá acontecer em 2027. Prevista para ser entregue em 2010, uma das maiores obras do nordeste no Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) ainda poderá custar mais R$ 6,7 bilhões e superar a previsão de investimento inicial.

Todo o novo estudo da obra foi elaborado e publicado pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que toma conta da Transnordestina. Toda a documentação foi entregue na Câmara dos Deputados. O projeto deveria ter sido inaugurado pelo então presidente Lula (PT) em 2010, mas foi adiado para janeiro de 2017.



Com apenas 52% de conclusão atualmente, a obra de 1.753 quilômetros sai da previsão de gastos de R$ 11,2 bilhões e sobre para R$ 13 bilhões. As obras estão interrompidas desde o início do ano passado, quando o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou a suspensão completa de repasses do governo, por meio da estatal Valec ou dos fundos oficiais que financiam a construção da ferrovia.

Cariri

Os primeiros trilhos da Transnordestina chegaram ao Cariri em novembro de 2010. A instalação começou no marco zero de Missão Velha, seguiu para o sítio Corredor Comprido, em Milagres, próximo a CE-293. Com chegada atrasada na região, há 8 anos já era sabido que o então presidente petista deixaria o cargo em janeiro de 2011, e portanto não participaria da inauguração.

A ideia principal da obra é ligar o sertão, começando pela cidade de Eliseu Martins, no Piauí, aos principais portos no litoral nordestino. O que se vê, por exemplo, em Missão Velha, é um "cemitério de dormentes" - apoios dos trilhos abandonados, além de vagões desativados e dezenas de máquinas sem utilização.

Há oito anos, Lula anunciava como um dos principais pontos dos enormes canteiros a "maior fábrica de dormentes do mundo", em Salgueiro -PE, com capacidade para fabricar 4,8 mil peças (ou 3 km) por dia, com estimativa de fechar 2010 com 230 mil unidades finalizadas.

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