Polícia
Violência
Cresce índice de execuções de pessoas do sexo feminino no Ceará
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O comandante de uma AIS da Capital revelou que, em menos de dois anos, o índice de assassinatos contra mulheres cresceu 350% (Foto: Reprodução)

Em 08/03/2018 às 06:20
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De coadjuvantes no mundo do crime a líderes do tráfico. À medida em que aumenta o número de mulheres envolvidas no comércio de drogas, cresce o número de vítimas do sexo feminino assassinadas, no Ceará. Conforme um oficial da Polícia Militar, que trabalha em uma célula de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), 9% dos homicídios no Estado as vítimas são mulheres.

O comandante de uma das Áreas Integradas de Segurança (AIS) da Capital revelou ao Diário do Nordeste que, em menos de dois anos, o índice de Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs) contra mulheres saltou 350%. Conforme o militar, o envolvimento feminino na criminalidade é um fenômeno que está sendo estudado pela SSPDS.

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"Em 2017, quando houve rompimento entre as facções, começamos a perceber que quando um traficante era preso, ao invés de ele colocar um amigo para comandar, ele passou a colocar a esposa ou a mãe. Antes, a mulher visitava o esposo no presídio e esse preso tinha cuidado em não envolvê-la nos negócios. Agora não, ela vai lá e pega todos os comandos", disse o oficial.

Números

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Segundo os registros diários da SSPDS, pelo menos, 95 mulheres foram executadas neste ano, no Estado. As idades das vítimas varia de 13 a 81 anos. O percentual de homicídios contra adolescentes do sexo feminino também chama atenção: cerca de 30% das vítimas são menores.

O policial militar conta que, no dia a dia, percebe o acréscimo de envolvimento de jovens nas facções criminosas. O oficial recorda ter visto, recentemente, casos de adolescentes mortas por, supostamente, terem repassado informações aos integrantes de organizações rivais. "Muitas vezes essas meninas que se envolvem com facção não têm nem noção do perigo que correm. Temos casos que elas trocam de namorado. Passam a se relacionar com um rival e uma hora ou outra, morrem", ressaltou.

Para os traficantes, a possibilidade de que informações do esquema vaze, é motivo suficiente para matar. Ser de confiança da facção pode resultar na ascensão das mulheres, o que pode ser ainda pior. "Uma jovem de 19 anos, com três filhos, assumiu uma ´boca´ recentemente, depois que o pai e o namorado foram presos. É a dona da ´boca´, mas está ameaçada de morte e ninguém sabe quantos dias dura", lembrou o oficial.

O PM afirmou também que percebe uma maior vinculação de mulheres com a facção Guardiões do Estado (GDE). Nas capturas, o oficial disse que as organizações menores prezam por esta nova participação, mas, não dão às criminosas o poder de matar desafetos. "Apesar de elas serem mortas, não matam. Não podem matar. Agem de forma operacional", lembrou.

Presas

A participação das mulheres na criminalidade pode ser comprovada também com o alto número de presas. De acordo com o boletim mensal da Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus), o último mês de fevereiro terminou com 1.005 detentas no Instituto Penal Feminino Desembargadora Auri Moura Costa (IPS).

A capacidade do equipamento é para 374 internas. O IPF é, atualmente, a unidade prisional mais superlotada do Ceará. Segundo a Sejus, no local, o excedente se aproxima de 170%. A transgressão mais recorrente, entre elas é o tráfico de drogas.

Fonte: Diário do Nordeste


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