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Várzea Alegre
Médicos cubanos que ficaram no Ceará enfrentam dificuldades
País contabilizava 8.335 profissionais cubanos, mais de 1.400 permaneceram após o fim do contrato com o Programa Mais Médicos. Os profissionais agora enfrentam problemas financeiros e convivem com incertezas
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Yuniel Gonzalez casou com a cearense Karoline Alves, com quem teve a pequena Nicole (Foto: Reprodução/ Diário do Nordeste)

Por Diário do Nordeste
Em 10/02/2019 às 08:10
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Os médicos cubanos que preferiram permanecer no Brasil após o rompimento do contrato com o Programa Mais Médicos, em novembro de 2018, por iniciativa do governo de Cuba, enfrentam um quadro adverso. Desempregados e sem renda, o sonho de exercer a profissão aqui começa a virar pesadelo. Dois profissionais que moram em Várzea Alegre, no Sul do Estado, estão preocupados e vivenciam uma realidade angustiante.

Os relacionamentos afetivos e a esperança de uma vida financeira mais confortável, com possibilidade de ajudar a família em Cuba, são os principais motivos de quem resolveu ficar no Brasil.

Os profissionais de saúde têm a esperança de serem chamados para ocuparem vagas ociosas no Programa Mais Médicos e de fazer o exame de revalida para obter o registro do Conselho Regional de Medicina (CRM), além da cidadania brasileira.

A expectativa ainda persiste, mas é um fio cada vez mais tênue. "Estou confuso, desempregado, prestes a passar fome", disse o médico, Yuniel Reynaldo Gonzalez, 35 anos, que está morando com a família da namorada, Karoline Alves de Souza, 21 anos, no sítio Santa Rosa, zona rural de Várzea Alegre. "Não sei como vai ficar a situação, se haverá vagas para os médicos ainda sem o CRM e quando terá prova do revalida".

O namoro resultou na gravidez de Karoline Souza. Há dois meses, nasceu Nicole. Yuniel Gonzalez conheceu a jovem Karoline em uma consulta do Programa Saúde da Família na localidade de Santa Rosa. Karoline pretende concluir o curso técnico de enfermagem na cidade de Várzea Alegre. O desemprego do marido e a perda de renda mensal obrigaram o casal a entregar a casa alugada e passar a morar com o sogro, agricultor, também de uma família humilde.

Yuniel Gonzalez recebia do governo cubano R$ 2.975 e mais R$ 3 mil do Município, contrato de 3 anos. Agora, os médicos cubanos que permaneceram no Brasil estão desempregados, em crise e sem expectativa, com temor de que o quadro piore.

Gonzalez revela estar legalizado com visto brasileiro permanente e carteira de trabalho, mas há outros profissionais em situação irregular. Considerados desertores pelo país natal, só poderão voltar a Cuba após oito anos.

Incertezas

De acordo com o Ministério da Saúde, nos dias 18 e 19 ocorre a inscrição no Mais Médicos para os profissionais estrangeiros formados no exterior. Nos dias 8 e 9 aconteceu a dos que detêm o registro profissional brasileiro. Antes do fim do programa, 8.335 médicos cubanos estavam no Brasil, de acordo com a OMS, cerca de 1400 permaneceram.

O temor dos que aqui ficaram é de que as vagas ociosas sejam preenchidas e, por isso, o clima é de desespero. Os parentes em Cuba sabem das dificuldades que eles estão enfrentando no Brasil e assim toda a família fica preocupada. É o caso de uma médica cubana de 56 anos que chegou a Várzea Alegre em 2013, casou-se em 2016 e também decidiu ficar. Ela, que preferiu não ser identificada, deixou uma filha em Cuba. Trabalhou por dois anos em um PSF do distrito de Ibicatu, deixou muitos amigos e saudades. "Fazia um excelente trabalho, era atenciosa", disse a dona de casa, Francisca Oliveira.

Agora, a médica, ao lado do marido brasileiro, vivencia a angústia e o risco de não ser contratada no Mais Médicos e a indefinição de quando o Governo Federal vai realizar a prova do revalida.


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