Cultura
Dom restaurador
Juazeirense faz ‘mágica’ e transforma velharias em móveis refinados
Por:
Jornalista Alana Soares
Em 18/05/2019 às 12:30

Haarllem Resende, o restaurador (Foto: Alana Soares/Agência Miséria)

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Caçador de móveis amputados, destruídos, prejudicados e de baixíssimo valor de mercado, o juazeirense Haarllem Resende, 36, fareja à distância o potencial de uma boa peça. Sabe o tipo de madeira pelo toque e pelo cheiro. Aprendeu na prática, sozinho. Encontrar um armário se desfazendo nas ruas de Juazeiro do Norte, em sucatas e lixões é seu maior prazer.

Único a fazer restauração de móveis antigos em Juazeiro, no Ateliê Padre Cícero, uma “velharia” entra e uma peça refinada saí. “Eu quero os móveis que estão de escanteio, que não funcionam e que ninguém quer mais. Meu maior prazer na restauração é pegar essas peças e dar um novo valor a elas”, Haarllem revela.

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Uma espécie de alquimia e muito talento guiam o restaurador autodidata, que começou sua trajetória com a madeira aos 18 anos por pura teimosia e hoje transformou isso em ganha pão e orgulho. Ao lado dele na oficina, sua esposa Carol Landim também engatinha no ofício da marcenaria. 

Quando ele encontra o que quer, seja na sucata ou no fundo de quintal de uma senhora idosa, aquele móvel desgastado e rejeitado passa a ser seu novo tesouro. Faz a “mágica” no móvel, resgatando sua cor original, brilho e função, e põe à venda.
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Cristaleira Luiz xv restaurada ⚒️ #atelierpadrecicero #cristaleira #restauracaodemoveisantigos

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A clientela do Ateliê é variada, mas se destacam pessoas jovens que querem relembrar os móveis da infância. Cristaleiras, armários, cadeiras, mesinhas e mesas clássicas são maioria no acervo, mas Haarllem diz conseguir restaurar praticamente tudo que seja em madeira.

O trabalho é lento, delicado e requer paciência e competência. “Me assusto quando vejo móveis ‘feito’ Frankenstein, com muito prego, muito parafuso e até papel para tapar buraco já vi gente usar”, lembra.

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“Nosso trabalho é resgatar essa história”, conta. “Buscar preservar a originalidade das peças”, mas sem engessar a proposta.

Um dos casos mais emblemáticos da oficina, ele conta, foi a restauração de um oratório feito há mais de 100 anos. A proprietária queria peça na madeira original, mas ao começar o trabalho Haarllem identificou as cores da primeira mão, azul e vermelho. “Uma peça totalmente barroca, belíssima”, lembra. “Em casos como esse, me orgulho de ser um cara que se importa com a peça. Qualquer outro passaria a lixa sem dar conta da representação que ali estava”.

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