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Beato Cícero, de Juazeiro, se transforma em personagem e alvo de brincadeiras
Por:
Jornalista Alana Soares
Em 12/06/2019 às 17:30

Fotógrafo Allan Bastos tenta dar a esmola em cartão de débito (Foto: Arquivo Pessoal/Allan Bastos)

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“Eu sou o beato mais famoso do mundo inteiro”, brada Cícero, 43 anos, um dito beato que circula pelas ruas de Juazeiro do Norte a pedir esmolas de R$ 20 a R$ 50 para “tomar um caldo”. “Muito famoso, graças a Deus”.

A imagem do dia desta quarta-feira, 12, é do fotógrafo Allan Bastos tentando dar a esmola em cartão de débito.

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“Pena que não posso fazer nada que o povo me filma”, ele reclama. Na mesma semana em que conversamos despretensiosamente numa sorveteria, ‘beato’ Cícero foi alvo de memes envolvendo filmagens dele tomando uma “lapadinha de cana”, como diz.

Outro meme dele é tragando um cigarro de palha - a foto original é registro do fotógrafo Samuel Macedo - onde se diz “baseado do beato” nos grupos de WhatsApp. “Nisso, me lasquei todinho. Até as esmolas caíram”, revela o prejuízo.
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Nascido em Acopiara, em 1976, Cícero diz que veio com a família para Juazeiro do Norte ainda criança. Eram romeiros de Cícero Romão Batista. “Todos da minha família são ricos, milionários. Só eu passo fome”, afirma gesticulando. “Não vou mentir que é pecado”, ele repete.

Banho só nas terças e cortar o cabelo, “jamais! É pecado”. Anda a cidade inteira, chegando a ser visto em bares, lanchonetes e praças também em Crato e Barbalha. Na festa de Santo Antônio, inclusive, parece ter faturado bem cobrando para tirar fotos com fãs que só o conheciam pelos grupos de mensagens.

“E a Igreja, beato?”, pergunto. Ele dá arrodeios, diz que é um local sagrado, de homens bons. Insisto. E sem muita convicção, diz fazer parte da Igreja dos Franciscanos, sendo “beato há mais de 20 anos”.

Mas segundo o Vigário Geral da Diocese, Padre José Vicente, o autointitulado ‘beato’ Cícero não é e nunca foi membro da Igreja Católica.

“Sabemos dele, que anda vestido de franciscano, pedindo esmolas por aí. Não há de julgar suas atitudes, mas não procede que seja beato”, diz Pe José Vicente. “Até porque os membros da Igreja devem pregar o evangelho, espalhar a palavra de Deus, e não pedir esmolas da forma que ele faz”.

Negando isso, ‘beato’ Cícero se satisfaz com a fama que hoje leva. “Quando eu morrer, vão fazer estátuas minhas e chaveiros para vender, vocês vão ver”, profetiza. “Mas só deixo essa vida quando Deus me chamar”.

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